quinta-feira, 27 de abril de 2023

ESTEROIDES ANABOLIZANTES E HEMATÓCRITO

 

ESTEROIDES ANABOLIZANTES E HEMATÓCRITO

 

JOELSO PERALTA, Nutricionista, Professor, Palestrante, Mestre em Medicina: Ciências Médicas e Doutorando: PPG Farmacologia e Terapêutica - UFRGS.

 


Olá pessoal, tudo bem?

 

Vamos falar de esteroides anabolizantes, ou melhor, porque os esteroides anabólico-androgênicos (EAA) aumentam o hematócrito? Quais são os riscos à saúde em decorrência de um elevado hematócrito?

 

Em primeiro lugar, a testosterona e outras drogas anabólicas aumentam a ERITROPOIESE, ou seja, estimulam a medula óssea quanto a produção de células vermelhas (hemácias), o que obviamente aumenta hematócrito.

 

O que é hematócrito?

Hematócrito é o percentual do sangue ocupado pelas hemácias. Por exemplo, um hematócrito de 45% significa que 45% do sangue é composto por hemácias e 55% por água e outras substâncias diluídas.

 

Em segundo lugar, os elevados valores de hematócrito são observados na policitemia (comum em regiões de elevadas altitudes, onde o ar é rarefeito), desidratação, queimaduras, diarreias e vômitos intensos, bem como uso (abuso) de esteroides anabolizantes. Nas doenças pulmonares, incluindo a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), também se observam valores aumentados no hematócrito.

 

Por que hematócrito elevado é um perigo?

Hematócrito elevado (acima de 54% em homens) aumenta o risco para trombose e acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi).

 

Nota:

Em uma tentativa de evitar um risco citado acima, inclusive de óbito, muitos atletas (que fazem uso de EAA) optam pela FLEBOTOMIA, ou seja, retirada de sangue (500 ml) para reduzir hematócrito, o que também reduz os níveis de ferro sérico. Claro, o procedimento de “sangria terapêutica” oferece riscos de contaminação associados as picadas de agulhas e/ou má conservação dos equipamentos durante a coleta de sangue, mas isso é um assunto para outra matéria.

 

Quais são os valores de referência para o hematócrito?

Os valores variam de um laboratório para outro, mas em geral:

Homens: 41-53% (40-50%)

Mulheres: 35-46% (35-45%)

Crianças a partir de 1 ano de idade: 37-44%.

 

No caso dos fisiculturistas, que assumem o risco de saúde com o uso de esteroides anabolizantes, não seria melhor usar nandrolona do que testosterona para reduzir o hematócrito?

 

KEEP CALM (mantenha a calma) e não faça confusões.

 

O decanoato de nandrolona ou 17-beta-hidroxi-19-norandrost-4-en-3-ona ou, simplesmente, deca-durabolin, é um esteroide injetável, derivado da 19-nortestosterona, possui grande poder anabólico e moderadamente androgênico, mas também aumenta o hematócrito. Aliás, a própria bula do medicamento diz uso terapêutico em alguns casos de anemia, justamente porque aumenta o hematócrito.

 

Em terceiro e último lugar, não existe um esteroide anabolizante 100% anabólico (retenção de nitrogênio, aumento da massa muscular e redução dos estoques de gordura corporal) e 0% androgênico (crescimento de pelos, espessamento das cordas vocais, aumento da secreção sebáceas, etc.) e, portanto, não existe 100% de segurança com uso/abuso destas drogas!

 

Abraços!

quarta-feira, 19 de abril de 2023

DIETA ANTI-INFLAMATÓRIA, MAS ISSO EXISTE?

 

DIETA ANTI-INFLAMATÓRIA, MAS ISSO EXISTE?

 

JOELSO PERALTA, Nutricionista, Professor, Palestrante, Mestre em Medicina: Ciências Médicas e Doutorando: PPG Farmacologia e Terapêutica - UFRGS.

 




Olá pessoal, tudo bem?

 

A inflamação está presente nas doenças, tais como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, asma, doenças neurodegenerativas, entre outras, mas será que existe uma dieta anti-inflamatória?

Evidências científicas mostram que polifenóis, presentes em frutas, vegetais e legumes, possuem propriedades anti-inflamatórias capazes de inibir enzimas e fatores de transcrição gênica envolvidos na inflamação (Food Chem 30;299: 125124, 2019).

O resveratrol, presente no vinho, uva, suco de uva, amoras, amendoim, etc., que é outro componente polifenólico, pode bloquear a ação de sirtuínas (SIRT), do fator nuclear kappa B (NFkB), a expressão do receptor toll-like (TLR) e de citocinas inflamatórias (interleucina-1b, IL1b; interleucina-6, IL6; e fator de necrose tumoral alpha, TNFa) (Nutrients 26;11(5):946, 2019).

Os ácidos graxos ômega-3, particularmente o ácido eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico (DHA), encontrados em peixes e frutos do mar, reduzem os eicosanóides inflamatórios por inibição da ciclooxigenase (COX) e lipoxigenase (LOX) (Nutrients 24;13(12)4221, 2021).

A curcumina, um composto polifenólico isolada da Cúrcuma longa, tem efeitos anti-inflamatórios e parece auxiliar no envelhecimento saudável, afinal aumenta a atividade da superóxido dismutase (SOD), glutationa S-transferase (GST), glutationa (GSH) e glutationa peroxidase (GPX), bem como reduz malondialdeído (MDA) e lipofuscina. Além disso, atenua as vias da proteína quinase de mamíferos alvo de rapamicina (mTORC1) e inibe o fator nuclear kB (NFkB) (Biomed Pharmacother 134;111119, 2021).

 

Sendo assim, tudo indica que existe uma dieta para “desinflamar”, correto?

 

Peraí, aumentar a ingestão dos alimentos in natura e reduzir ou eliminar os alimentos processados, ultraprocessados, altamente palatáveis e calóricos não são a base de uma dieta saudável? Se sim, sua dieta é “anti-inflamatória” ou apenas saudável?

 

Peraí, a troca de alimentos “não saudáveis” por mais “saudáveis” não é a base de uma dieta mediterrânea? Então, dieta mediterrânea é “anti-inflamatória”?

Peraí, a dieta vegetariana é rica em frutas, vegetais e legumes, ou seja, possuem muitos alimentos saudáveis, então dieta vegetariana é “anti-inflamatória”?

Peraí, as dietas paleolíticas (“Dieta dos Homens da Caverna”) proíbem a ingestão de alimentos industrializados, processados e ultraprocessados, então são “anti-inflamatórias”?

 

Qualquer dieta (mediterrânea, vegetariana ou paleolítica) isenta de alimentos processados e ultraprocessados é a “anti-inflamatória”?

 

Será que um plano alimentar que contenha em seu planejamento alimentos com compostos de propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes são “dietas anti-inflamatórias”?

 

Não entendeu?

 

Vou refazer a pergunta:

Como você pode afirmar que um alimento isolado é anti-inflamatório se não mensurou biomarcadores inflamatórios antes e após ingestão destes alimentos?

 

Vejam, alguns estudos observacionais (baixo grau de evidência científica) tentaram fazer isso, ou seja, mensuraram biomarcadores inflamatórios após a ingestão de determinados alimentos, mas não obtiveram sucesso (claro, estudos observacionais não podem estabelecer causalidade).

Peraí, vou te contar um destes estudos:

Fred K. Tabung et al. (J Nutr 146(8): 1560-1570, 2016), por exemplo, desenvolveram um Índice Empírico de Alimentos Inflamatórios (EDII, Empirical Dietary Inflammatory Index), baseado em estudos de coortes prospectivos (ou seja, pesquisa observacional, selecionando indivíduos que foram acompanhados ao longo do tempo para observar condições de interesse). Para tanto, mensuraram três marcadores de inflamação: interleucina-6 (IL6), fator de necrose tumoral alpha (TNFa) e proteína C reativa (PCR).

Legal, né? Pois bem, deixa eu te falar umas “coisinhas” não tão legais:

PRIMEIRO, as amostras de sangue eram de pacientes diagnosticados com câncer e doenças cardiovascular (infarto ou derrame). Portanto, são doenças onde a inflamação já está presente! Cadê o grupo controle (pessoas saudáveis, sem patologias) para estabelecer comparações??? Como seriam as respostas no sexo masculino e feminino??? Com seriam as respostas em diferentes faixas etárias??? Existem diferenças entre brancos e negros???

SEGUNDO, neste índice (EDII), os peixes, os tomates, alguns vegetais (que não sejam verdes), as carnes vermelhas e os grãos refinados são pró-inflamatórios; enquanto que os vegetais de folhas verdes e amarelos escuros, o café, o suco de frutas, os chás, o vinho, a cerveja e a pizza são anti-inflamatórios. Peraí, pizza e cerveja anti-inflamatórios??? Por que um vegetal verde seria anti-inflamatório, mas um vermelho seria inflamatório??? Qualquer tipo de vinho ou chá são anti-inflamatórios???

TERCEIRO, apenas três biomarcadores inflamatórios séricos são ideais para este tipo de análise??? Ou melhor, quais seriam as respostas (inflamatórias ou anti-inflamatórias) intracelulares, verificado por biópsia e análise celular de enzimas e fatores de transcrição, por exemplo???

QUARTO, como reduzir os fatores de confusão, afinal os dados (alimentos) para a construção do índice (IDII), neste estudo, são autorrelatados???

 

Pessoal, NÃO QUERO SER CHATO, MAS JÁ SENDO, precisamos ter mais senso crítico quanto às informações e, principalmente, aprender a ler e interpretar corretamente os dados científicos disponíveis.

 

Peraí, precisamos de estudos randomizados, né professor?

 

Sim, e temos: Simin N. Meydani et al. Aging 8(7): 1416-31, 2016.

Trata-se de um ensaio clínico randomizado e controlado (ou seja, com elevado grau de evidência científica) que trouxe as seguintes conclusões: os alimentos individuais têm pouco ou insignificante poder anti-inflamatório, pois a base da inflamação está no aporte calórico diário. Ou seja, dietas com déficit calórico são anti-inflamatórias (pois inibem de forma significativa e persistente as vias inflamatórias), enquanto que dietas com superávit (hipercalóricas) são pró-inflamatórias.

 

O fato acima parece ter lógica quando você estuda As Teorias do Envelhecimento Humano, por exemplo: teoria com base genética (efeitos somáticos ao DNA); teoria com base em danos de origem química (ação de radicais livres e inflamação); teoria com base no desequilíbrio gradual (incluindo desordens imunitárias e neuroendócrinas); e teoria com base na restrição calórica e desgaste orgânico (Rev. Bras. Med. Esporte 8(4): 129-138, 2002). 

 

Peraí, mas existem nutricionistas funcionais que discordam?!

 

KEEP CALM e me responda:

Por acaso existe uma dieta “disfuncional”? Por acaso, algum nutricionista passa uma dieta para “disfuncionar” seus pacientes?

 

KEEP CALM e pensa:

Será que não estamos colocando muitos holofotes em diferentes tipos de “dietas”, algumas ditas “dietas da moda”, onde deveríamos apenas prescrever dietas mais saudáveis, que possuem nutrientes e compostos químicos capazes de trazer benefícios fisiológicos aos pacientes?

 

KEEP CALM e vou concluir:

Em suma, você pode dizer que sua dieta é funcional, anti-inflamatória, antioxidante, não vamos brigar (rs). Contudo, talvez poderia dizer simplesmente: trata-se de uma dieta saudável, rico em carotenoides (betacaroteno, licopeno, zeaxantina e luteína), compomentes fenólicos (isoflavonas, catequinas, curcumina e antocianinas) e alcalóides (cafeína, piperina, capsaicina e teobromina).

 

Essa matéria não é uma crítica, mas um convite para reflexão, que sempre foi meu norte como professor e ainda mais agora como pesquisador.

 

BÔNUS:

Você pode ter uma dieta saudável, rica em alimentos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e, mesmo assim, estar inflamado e oxidado? Boa, né? Pensa aí... Abraços!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

QUER APRENDER BIOQUÍMICA? Vou te fazer um convite!

 Biochemistry Class – BioCLASS – Prof. Joelso Peralta.


Olá, tudo bem? Muitos estudantes e profissionais de saúde consideram a bioquímica um “bicho-de-sete-cabeças” e, dessa forma, perdem a chance de desenvolver e aprofundar seus conhecimentos em bioquímica. Sou Prof. Joelso Peralta e quero te fazer um convite:


QUER FAZER PARTE DE MEU GRUPO EXCLUSIVO DE WHATSAPP DE BIOQUÍMICA?

 

O Biochemistry Class - BioCLASS tem a intenção de compartilhar informações e materiais gratuitos sobre bioquímica básica e aplicada às áreas de saúde. Além disso, apresento a programação de meus cursos e palestras, mentorias e eventos, bem como aulas particulares ou de pequenos grupos.

 

Deixa-me exemplificar alguns assuntos já discutidos neste grupo:

 

Biochemistry Class – BioCLASS: OS ÁCIDOS GRAXOS.

Os ácidos graxos são componentes característicos dos lipídeos e podem ser classificados, quando ao tamanho da cadeia carbônica, em ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que possuem entre 4 a 6 carbonos; ácidos graxos de cadeia média (AGCM), que possuem entre 8 a 12 carbonos; ácidos graxos de cadeia longa (AGCL), que possuem 14 a 20 carbonos; e ácidos graxos de cadeia muita longa (AGCML), que possuem igual ou maior que 22 carbonos.


Aí, te pergunto: qual aplicação prática desta informação técnica?

ACHOU INTERESSANTE?

Pois bem, a resposta encontra-se em meu Grupo Exclusivo de Whats.

Já te explico como entrar...


Biochemistry Class – BioCLASS: ISÔMEROS EPÍMEROS.

O que são isômeros epímeros? Eu tenho certeza que em sua Instituição de Ensino Superior (IES), durante as aulas de bioquímica, algum(a) professor(a) já falou dos monossacarídeos. Contudo, já ouviu falar em estereoisomerismo e epímeros?

Os monossacarídeos são constituídos por 1 única molécula de aldeído ou cetona poliidroxilada. A aldose é o monossacarídeo que contém um grupo aldeído (H-C=O ou CHO) em sua estrutura da cadeia carbônica. Você pode identificar facilmente uma aldose observando que o grupo carbonila (C=O) está na extremidade da molécula. Já cetose é o monossacarídeo que contém um grupo cetona (R-CO-R ou RCOR, onde R significa radical). É fácil identificar uma cetose, pois a C=O está em um carbono secundário (entre dois carbonos). Ou melhor, a C=O nunca está na extremidade da molécula.

Neste sentido, a glicose é um aldeído, pois sua C=O está na extremidade da molécula. Além disso, possui muitas hidroxilas (poliidroxilada). A glicose também é uma hexose, ou melhor, aldohexose (aldose de 6 carbonos). A frutose é uma cetose, pois a C=O não está na extremidade da molécula, embora também tenha muitas hidroxilas. A frutose é uma cetohexose (cetose com 6 carbonos).

Para entender isômeros epímeros, precisa saber que todos os compostos que apresentam um átomo carbono assimétrico ou carbono quiral (símbolo C*) apresentam estereoisomerismo.

ACHOU LEGAL?

Pois bem, a resposta encontra-se em meu Grupo Exclusivo de Whats.

Vou te explicar como entrar em seguida...

 

Biochemistry Class – BioCLASS: AÇÚCAR INVERTIDO.

O que é açúcar invertido? Os compostos orgânicos, no contexto espacial, podem rotacionar ou girar em um plano de polarização da luz polarizada, o que é observado através de um polarímetro. Foi convencionado que essa atividade óptica (isomerismo óptico) pode existir 2 tipos: dextrorrotatória ou dextrógiro (sigla D ou símbolo positivo, +) e levorrotatória ou levógiro (sigla L ou símbolo negativo, –). No dextrógiro, o isômero desvia a luz polarizada para o plano direito. No levógiro, o isômero desvia a luz polarizada para a esquerda.

O açúcar invertido é uma solução, um xarope, uma mistura de glicose com frutose, derivado da hidrólise da sacarose. Além disso, açúcar invertido é levógiro (levorrotatório), que desvia a luz para esquerda em um ângulo de 33,3 graus. A sacarose é um dissacarídeo (glicose + frutose), tendo um comportamento dextrógiro (dextrorrotatório) com ângulo de 66,5 graus, quando observado no polarímetro.

Por que a indústria usa açúcar invertido no lugar da sacarose?

Quais são as implicações na saúde?

O que dizem os estudos?

PUXA, GOSTOU?

Pois bem, a resposta encontra-se em meu Grupo Exclusivo de Whats.

 

OK, COMO FAÇO PARA ENTRAR NESTE GRUPO?

 

Para ingressar em meu Grupo Exclusivo de Whats mande um e-mail para jperaltanutri@gmail.com dizendo: Oi, quero participar do BioCLASS. Além disso, neste e-mail responda:

Qual seu nome completo? (Exemplo: Joelso Peralta)

Quantos anos completos você tem? (Exemplo: 22 anos; 30 anos; 42 anos)

Você é estudante ou profissional de saúde? (Exemplo: sou estudante de nutrição da UFRGS; sou profissional de educação física graduado pela ULBRA; sou estudante de biomedicina da UNISINOS; sou médico formado pela Universidade Federal de Viçosa)

Qual seu número de WhatsApp? (Exemplo: (51) 1234-5678; (55) 8765-4321)

Por que você quer ingressar neste grupo BioCLASS? (Obs.: vou analisar cuidadosamente sua resposta).

 

QUEM SOU?

Nutricionista graduado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, São Leopoldo/RS.

Mestre em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

Doutorando em Ciências Biológicas: Farmacologia e Terapêutica pela UFRGS.

Professor de especialização, graduação e pós-graduação nos últimos 17 anos. Algumas experiências profissionais:

Universidade La Salle - Unilasalle Canoas;

Instituto Sul-Brasileiro de Cursos e Qualificações (IsulBra);

Instituto de Pesquisa, Ensino e Gestão em Saúde (iPGS);

Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (SOGIPA);

Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE), Recife/PE;

Escola Técnica América;

Universitário;

Escola Definitivo.

Palestrante em mais de 300 eventos nacionais, incluindo Porto Alegre; Canoas; Lajeado; Caixas do Sul; Rio de Janeiro; São Paulo; Minas Gerais; Pernambuco; Alagoas; Piauí; Salvador/Bahia, entre outros.

 

LEMBRE-SE: O BioCLASS é o local onde você vai ter acesso para desenvolver e aprofundar seus conhecimentos em bioquímica diretamente comigo.

OBS.: Não se preocupe, este canal de WhatsApp jamais solicitará senhas, códigos, PIX ou qualquer outra informação confidencial. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

QUAL DIFERENÇA ENTRE COMPULSÃO ALIMENTAR E FOOD CRAVING?

QUAL DIFERENÇA ENTRE COMPULSÃO ALIMENTAR E FOOD CRAVING?

JOELSO PERALTA, Nutricionista, Professor, Palestrante, Mestre em Medicina: Ciências Médicas e Doutorando: PPG Farmacologia e Terapêutica - UFRGS.

 



Olá pessoal, tudo bem? Estava saindo de minha pesquisa de doutorado, que é um estudo randomizado duplo-cego, intitulado “Efeitos da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (rEMT) sobre os sinais subjetivos de fome e saciedade na obesidade”, e pensei após algumas entrevistas:

Os pacientes sabem as diferenças entre Compulsão Alimentar Periódica (Binge Eating, BES) e Desejo Alimentar (Food Craving)?

 

Quer dizer, observei pacientes relatando “tenho compulsão alimentar”, mas durante a entrevista exibem “desejos” por determinados alimentos (doces ou salgados, por exemplo). Já outros pacientes dizem “tenho desejo por doces”, mas na realidade exibem “compulsão” por comida, beirando ao exagero completo. Portanto, essa matéria pretende elucidar BES e food craving.

 

Compulsão Alimentar Periódica?

 

Em primeiro lugar, o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódico (TCAP) não é a mesma coisa que a Compulsão Alimentar Periódica (CAP, também referido como Binge Eating, BES).

 

COMO ASSIM?

KEEP CALM (mantenha a calma) e continue a leitura. O Transtorno da Compulsão Alimentar Periódico (TCAP) é uma doença, devidamente categorizada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V). Aliás, minha pesquisa de doutorado envolve pacientes obesos e a frequência de TCAP, segundo a literatura, ocorre em 30% dos pacientes com obesidade. Todavia, muitas pessoas, incluindo algumas pessoas com sobrepeso e obesidade, possuem compulsão alimentar periódica (CAP) e não TCAP.


CONFUSO? PERAÍ.

Os conceitos são semelhantes, mas existem diferenças sutis. CAP (BES) é caracterizada pelo consumo exagerados de alimentos em um curto intervalo de tempo (até 2 horas), seguido pelo sentimento de culpa e perda de controle sobre o que ou quanto se come. Muitas pessoas podem exibir esse comportamento de forma eventual, ou seja, qualquer pessoa pode ter um ou mais episódios de CAP. Talvez você teve um episódio de CAP no ano passado. Talvez você teve um episódio dentro de 60 ou 90 dias. Esses episódios ocorrem em pessoas eutróficas, com sobrepeso ou com obesidade, quer dizer, qualquer pessoa pode ter CAP. Entretanto, se esses episódios ocorrem com frequência, por exemplo, pelo menos uma (01) vez por semana, durante três (03) meses consecutivos, então o paciente possui TCAP, que é uma doença, descrita no DSM-V.

 

VOCÊ SABIA DESSA DIFERENÇA?

Com base nisso, a baixa adesão ao tratamento dietético ou dietoterápico pode ser decorrência do CAP ou TCAP, o que precisa ser criteriosamente investigado. Existem algumas ferramentas para avaliar CAP (realizado por qualquer profissional de saúde) e TCAP (realizado pelo médico, geralmente psicólogo ou psiquiatra). Por exemplo, para avaliar CAP podemos usar a Escala de Compulsão Alimentar Periódica (ECAP), também chamada de Binge Eating Scale (BES), proposta por Gorally J. et al. (1982) e validada e traduzida para a língua portuguesa por Silva Freitas et al. (Tradução e adaptação para o português da Escala de Compulsão Alimentar Periódica. Revista Brasileira de Psiquiatria 23(4): 215-20, 2001).

O ECAP é um questionário, que pode ser autoaplicável, composto por 16 perguntas e 62 afirmativas. Destas, 8 itens referem-se as manifestações comportamentais e 8 itens descrevem sentimentos e cognições. Resumidamente, cada afirmativa possui um critério de pontuação, que permite avaliar o grau de compulsão alimentar. Claro, a doença (TCAP) deve ser avaliada pelo clínico (médico psiquiatra), ou seja, a escala CAP não substitui o diagnóstico médico.

 

Food Craving (desejo alimentar)?

 

Agora que você entendeu a diferença entre CAP e TCAP, vamos elucidar outro conceito: food craving (craving alimentar ou desejo alimentar). Food craving é o desejo por determinados alimentos, geralmente hiperpalatáveis. Muitos pacientes relatam uma vontade instantânea, persistente e, até mesmo, incontrolável de ingerir um alimento em particular (doce, salgado, saboroso, açucarado, gorduroso). Neste sentido, muitos pacientes com obesidade, que é o foco de minha pesquisa, apresentam “desejo por determinados alimentos” e, mesmo comendo este em excesso, não caracteriza CAP ou TCAP.

O desejo de comer tem muitas origens, onde se discute fortemente o “comer hedônico”, que podemos traduzir como um “comer emocional”.

 

COMER EMOCIONAL, COMO ASSIM?

Pessoal, isso é muito comum, especialmente em nossa sociedade conectado à internet e com a “bunda quadrada” de trabalhos em home office. Deixa-me explicar melhor:

 

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando estão estressadas;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando estão ansiosas;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando estão depressivas;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando estão emotivas;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando acabam relacionamentos amorosos;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando começam relacionamentos amorosos;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando são demitidas, desempregas;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando conseguem um emprego novo;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando estão felizes;

Algumas pessoas comem determinados alimentos quando estão irritadas;

Algumas pessoas comem determinados alimentos (...);

Algumas pessoas comem (...);

Algumas pessoas (...);

Algumas (...).

 

Quer dizer, a lista do “comer emocional” pode ser GIGANTE, pois os seres humanos verdadeiramente buscam e ingerem alimentos por mecanismos de recompensa e prazer (NOTA: existem explicações neurobioquímicas neste processo, mas que deixarei para outra matéria).

O fato é que (...):

Algumas pessoas comem doces e alimentos ricos em açúcares: bolachas, biscoitos, chocolates, sorvetes, bolos, sobremesas em geral;

Algumas pessoas comem alimentos salgados e ricos em gordura: batatas fritas, hambúrgueres, salgadinhos, folhados de padaria, entre outros.

 

O fato é que (...):

Uma grande parte destes alimentos não passam de escolhas ruins, ou seja, fast food (“comida rápida”) e junk foods (“comida lixo”).

 

Qual resultado das péssimas escolhas?

O resultado das péssimas escolhas não poderia ser diferente: dietas altamente calóricas que favorecem o sobrepeso e obesidade; dietas pobres em fibras, vitaminas, minerais, fitoquímicos e antioxidantes, que favorecem a instalação e progressão da doença.

 

BAHHH, e existe uma solução?

Claro, sempre existe uma saída, existe uma solução! Para tanto, você deve procurar um profissional de saúde, devidamente capacitado, experiente em atender e tratar pessoas com compulsão alimentar e desejo alimentar.   

 

LEMBRE-SE:

Se gostou pode compartilhar, desde que citado a fonte: Prof. Nutricionista Joelso Peralta no Blog: https://peraltanutri.blogspot.com. Para maiores informações sobre PeraltaNUTRI – Atendimento e Acompanhamento Nutricional Personalizado entre em contato pela WhatsApp (51) 99943-1815. Ahhh, siga-me nas redes sociais (FACE: Joelso Peralta; Instagram: @peraltanutri).  

 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

DEPRESSÃO É UMA DOENÇA E NÃO UMA “FRESCURA”

DEPRESSÃO É UMA DOENÇA E NÃO UMA “FRESCURA” PARA CHAMAR A ATENÇÃO 

JOELSO PERALTA, Nutricionista, Professor, Palestrante, Mestre em Medicina: Ciências Médicas e Doutorando: PPG Farmacologia e Terapêutica - UFRGS.

 


Olá, tudo bem? Depressão é uma doença e não uma frescura! Depressão é um transtorno psiquiátrico e não simplesmente sentir-se triste! Entendo que o leigo, através do senso comum, tenha uma visão distorcida, equivocada, da depressão. Contudo, você, caso seja um profissional de saúde, não pode cometer esse equívoco. Dessa forma, deixa-me detalhar este assunto, pois a doença vem crescendo nos últimos anos, especialmente durante e após a pandemia de Covid-19.

 

O QUE É DEPRESSÃO?

Depressão é um transtorno psiquiátrico incapacitante, crônico e recorrente, sendo considerado uma doença pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), através do código F33. Os pacientes depressivos ou deprimidos apresentam importantes limitações em suas atividades diárias, de convívio social e de bem-estar. A doença, infelizmente, é subnotificada (30 a 60% dos casos de depressão não são detectados pelos especialistas). Dessa forma, muitos não recebem tratamento ou recebem tratamentos insuficientes ou inadequados. O treinamento de não médicos (mas que sejam profissionais de saúde) para identificar um quadro de depressão poderia permitir melhor rastreamento e indicação de tratamento.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo. No Brasil, segundo a Agência de Notícias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a depressão aumentou 34,2% e atinge 16,3 milhões de brasileiros adultos. Quer dizer, em 2013, eram 11,2 milhões de brasileiros (7,6%) e, em 2020, os dados registravam 16,3 milhões (10,2%). Além disso, a depressão é mais frequente em mulheres do que homens (14,7% versus 5,1%, respectivamente). A incidência de depressão também é elevada entre os idosos (13,2%).

 

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS?

Os principais sintomas da depressão incluem: tristeza, melancolia, perda de interesse por atividades rotineiras, falta de esperança ou desesperança, desamparo ou desespero, sentimento de inutilidade ou culpa, negatividade pessoal, baixa autoestima, cansaço generalizado, dificuldade de concentração, lentidão de ideias e fala, perda de memória, inabilidade para tomar decisões e relatos de excesso de sono ou insônia. O paciente também pode perder peso (e desnutrir) ou ganhar peso (e evoluir para o sobrepeso e a obesidade), além de apresentar pensamentos frequentes de morte e suicídio. Alguns estudos mostram que 15% das pessoas com depressão cometem suicídio. Outros estudos mostram que 1% das mulheres e 7% dos homens cometem suicídio. O risco de suicídio é maior em pessoas depressivas do que a população sem a doença.

Existem outros sintomas que, por vezes, passam despercebidos e possuem relação com depressão: perda de libido, distúrbios menstruais e distúrbios gastrintestinais (boca seca, flatulência e diarreia ou constipação), cardiovasculares (palpitação ou taquicardia) e respiratórios (hiperventilação ou respiração ofegante).  

 

QUAIS SÃO AS CAUSAS?

Existem inúmeras causas (etiologia), mas parecem estar interligadas ou inter-relacionadas. Entre elas, podemos citar: fatores genéticos e ambientais, traumas psicológicos e abuso de drogas. Quer dizer, pessoas com familiares diagnosticados com depressão e outras formas de transtornos psiquiátricos (transtorno bipolar, demência, esquizofrenia, entre outros) estão mais propensos para desenvolver um quadro depressivo. Ao mesmo tempo, situações ambientais podem propiciar um quadro de depressão, por exemplo, dificuldades socioeconômicas, desemprego e rotinas de trabalho “desumanas”, desgastantes e estressantes. Os traumas psicológicos vividos afetam fortemente as pessoas, desencadeando quadros depressivos. Como exemplo, podemos citar o abuso verbal e físico entre pais e filhos, entre cônjuges, bem como o abuso sexual. Insultos, humilhações, acusações, julgamento, desvalorização e muito estresse são fatores que podem estar envolvidos com o surgimento de um quadro depressivo. Por fim, o uso e abuso de drogas pode desencadear ou agravar os quadros de depressão, incluindo abuso de drogas ilícitas, álcool e tabagismo.  

Bioquimicamente falando, existem alterações neuroquímicas envolvidas na depressão, especialmente a “Teoria ou Hipótese das Aminas Biogênicas”. Segundo a hipótese, a depressão seria consequência da menor disponibilidade de neurotransmissores no cérebro, particularmente serotonina (5-hidroxitriptamina, 5-HT) e norepinefrina (NE), mas também dopamina (DA). Neste sentido, como veremos mais adiante, muitos fármacos antidepressivos buscam ajustar ou equilibrar estes neuroquímicos.

Porém, outros estudiosos apontam outras direções, como alterações epigenéticas associadas ao estresse. Neste caso, alguns genes são focos de estudo e alvos terapêuticos: NRC31, SLCA4, BDNF, FKBP5, SKA2, OXTR, LINGO3, POU3F1 e ITGB1. Ainda existem estudos que apontam para a neuroinflamação ou imunoinflamação na depressão, onde são focos de pesquisa as citocinas pró-inflamatórias (IL-1b, IL-6 e TNFa) e o papel da micróglia e astrócitos. O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) tem sido frequentemente estudado, onde a hipersecreção de cortisol e outros glicocorticoides poderia elucidar alguns mecanismos na doença.

Sendo assim, depressão não é frescura!!!

 

EXISTE TRATAMENTO?

Sim, inclusive tratamento preventivo. Para prevenir a depressão é preciso identificar o “estopim” do quadro depressivo. Em seguida, elaborar estratégias e planos para uma vida mais saudável do ponto de vista físico, mental e social. A nutrição e o profissional nutricionista têm papel fundamental na terapêutica preventiva, mas não podemos descartar o apoio de familiares e amigos. A prática regular de atividade física, devidamente orientada por um profissional de educação física, também é de fundamental importância. Manter o corpo ativo traz bem-estar, modulando neurotransmissores e permitindo a socialização do paciente. Obviamente precisará da supervisão de um profissional psicólogo e médico psiquiatra. A psicoterapia deveria ser rotina para estes pacientes. As terapias comportamentais (psicoterapia comportamental) e ocupacionais são estratégias usadas na terapêutica da depressão.

Existem, na realidade, uma serie de tratamentos disponíveis, que deve ser analisado caso a caso: terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia comportamental, psicoterapia interpessoal, psicoterapia de resolução de problemas, terapia de casal, aconselhamento, etc. Atualmente, também se estuda as técnicas de neuromodulação na depressão, incluindo eletroconvulsoterapia (ECT) e eletroestimulação magnética transcraniana (EMT). O tratamento deve ser multiprofissional ou, melhor, deve ser multidisciplinar (que envolve vários especialistas, em diversas áreas de conhecimento, trabalhando em equipe, com um objetivo comum de tratar e recuperar o paciente).

Neste sentido, cabe destacar que existe o tratamento medicamentoso, ou seja, uso dos chamados medicamentos ou fármacos antidepressivos. Não vou entrar em grandes detalhes aqui, mas apenas mencionar rapidamente alguns destes medicamentos.

 

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs)

 Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) bloqueiam a receptação de serotonina (5-HT) pelo neurônio pré-sináptico. Dessa forma, o neurotransmissor permanece na fenda sináptica e fica disponível para interagir com receptores no neurônio pós-sináptico. Como efeito crônico, espera-se também maior liberação de 5-HT pelas vesículas sinápticas, ou seja, maior quantidade de 5-HT na fenda e interação com neurônios pós-sinápticos. Como exemplo temos: Citalopram, Escitalopram, Fluoxetina, Paroxetina e Sertralina.

 

Inibidores da captação de serotonina e norepinefrina (ICSNs)

Os inibidores da captação de serotonina e norepinefrina (ICSNs) inibem, seletivamente, a captação de serotonina (5-HT) e norepinefrina (NE) pelo neurônio pré-sináptico. O mecanismo de ação, portanto, é duplo. Entre os ICSNs citamos: Velafaxina e Duloxetina.

 

Antidepressivos atípicos

Essa classe de fármacos pode bloquear os receptores de serotonina (5-HT), aumentando o neuroquímico na fenda sináptica, embora alguns locais de atuação e mecanismo de ação não estejam totalmente elucidados. Entre eles citamos: Bupropiona, Mirtazapina, Nefazodona e Trazodona.

 

Antidepressivos tricíclicos (ATCs)

Os antidepressivos tricíclicos (ATCs) bloqueiam a captação dos neurotransmissores norepinefrina (NE) e serotonina (5-HT) nos neurônios pré-sinápticos, o que aumenta suas concentrações na fenda sináptica e, dessa forma, disponíveis aos neurônios pós-sinápticos. Entre eles, podemos citar: Amitriptilina, Amoxapina, Clomipramina, Desipramina, Doxepina, Imipramina, Maprotilina, Nortriptilina, Protriptilina e Trimipramina.  

 

Inibidores da monoamina-oxidase (iMAOs)

A monoamina-oxidase (MAO) é uma enzima mitocondrial encontrada no fígado e intestino, mas também no sistema nervoso e placenta. A MAO participa da via de degradação da norepinefrina (NE), dopamina (DA) e serotonina (5-HT). Quer dizer, no sistema nervoso, a MAO inativa monoaminas que possam vazar de vesículas sinápticas, formando compostos inativos (metabólitos inativos). Um excesso na degradação de monoamimas (NE, DA e 5-HT), catalisada pela MAO, pode desencadear a depressão em alguns pacientes. Neste sentido, os inibidores da monoamina-oxidase (iMAOs) evitam a inativação destas monoaminas, que conseguem entrar na fenda sináptica e ligam-se aos neurônios pós-sinápticos, permitindo a sinalização neuroquímica necessária. Como exemplo de fármacos iMAOS podemos citar a Fenelzina e Tranilcipromina.

 

Fármacos usados para tratar mania

Como vimos, uma grande parte dos fármacos antidepressivos atuam normalizando os neurotransmissores serotonina (5-HT) e/ou norepinefrina (NE) no cérebro, o que reflete a chamada “Teoria das Aminas Biogênicas”. Todavia, alguns pacientes com quadro de depressão exibem manias, que pode estar associado ao excesso destes neuroquímicos (e não sua deficiência). Claro, existem outras explicações, incluindo alterações nas vias metabólicos em que participam estas aminas biogênicas (por exemplo, envolvendo o segundo mensageiro bifosfato de fosfatidilinositol ou PIP2). Neste sentido, nos casos de maníaco-depressivos, recorrem-se à Carbazepina, sais de lítio e ácido valproico.

 

 NOTA: Todos os medicamentos possuem, em maior ou menor grau, efeitos adversos. Portanto, essa matéria tem apenas a função de informar, não devendo ser encarada como um conselho médico ou sugestão de automedicação. Ao mesmo tempo, existem vários tipos de depressão (depressão maior, transtorno afetivo, depressão pós-parto, depressão psicótica, maníaco-depressivo, etc.) e, portanto, procure seu médico para estabelecer o diagnóstico e o melhor tratamento disponível.

 

E lembre-se: se gostou pode compartilhar, desde que citado a fonte: Prof. Joelso Peralta no Blog: https://peraltanutri.blogspot.com. Ahhh, siga-me nas redes sociais (FACE: Joelso Peralta; Instagram: @peraltanutri).  

 

Sugestões de leitura:

IBGE: depressão aumenta 34% e atinge 16,3 milhões de brasileiros. Fonte: <https://noticias.r7.com/saude/ibge-depressao-aumenta-34-e-atinge-163-milhoes-de-brasileiros-18112020>.

Luciana Vismari et al. Depressão, antidepressivos e sistema imune: um novo olhar sobre um velho problema. Revisões da Literatura, Arch. Clin. Psychiatry (São Paulo) 35(5): 196-204, 2008.

Marcelo P. Fleck et al. Revisão das Diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da depressão. Revista Brasileira de Psiquiatria 31(Supl I): S7-S17, 2009.

Richard D. Howland e Mary J. Mycek. Farmacologia Ilustrada. 3.ed. Porto Alegre: ArtMed, 2007.

Robert K. Murray et al. Harper: Bioquímica. 8.ed. São Paulo: Atheneu, 1998.